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13 de março de 2007


"(...)O mundo vai se modernizando e a gente continua com a mesma angústia pré-histórica aqui no peito."
*
Tati Bernardi
(E-mail para Myla)
-





10 de março de 2007



"Os casais são tão iguais, por isto se casam e anunciam nos jornais.
Os casais são tão iguais, por isto se beijam fazem filhos, se separam prometendo não se casarem jamais.
Os casais são tão iguais que além de trocar fraldas, tirar fotos, acabam se tornando avós e pais.
Os casais são tão iguais que se amam e se insultam e se matam na realidade e nos filmes policiais.
Os casais são tão iguais que embora jurem um ao outro amor eterno sempre querem mais."
*
Affonso Romano de Sant’Anna
(Balada dos Casais)
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"(...)Assim tudo o que existe, simplesmente existe.
O resto é uma espécie de sono que temos,
Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença."
*
Alberto Caeiro
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"(...)Eu posso transar no primeiro encontro, eu posso transar por transar. Eu posso trepar. Eu posso te encontrar num flat na hora do almoço para uma rapidinha. Eu posso reclinar o banco do meu carro e mandar ver. Eu posso deixar você não me beijar na boca. Eu posso aceitar que você nunca me leve de mãos dadas a um cinema. Eu posso ser uma noite e nada demais. Eu posso ser um banheiro e nada mais. Eu posso ser nada mais. Mas eu nunca, em nenhum momento, deixo de romantizar a vida, cada segundo, por mais podre que seja, dela. Eu nunca deixo de procurar você. Eu nunca deixo de acreditar que você exista, e eu nunca deixo de acreditar que você faz o mesmo a minha espera."
*
Tati Bernardi
(Romântica pra cacete)
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4 de março de 2007


"Ando tendo dúvidas a respeito de ensinar. E de saber.

Eu mesma nunca aprendi

A me conter. O suficiente.

Então falo demais. Só sei guardar segredos dos outros.

Os meus conto pra todo mundo. Como faço agora.

Então não adianta dizer não diga. Porque meu nome é dizer.

Respiro outra vez o mar. Da janela o sol quase noite na pedra.

Algumas orquídeas gostam de chão. Ovas de caramujos

Depositadas nas pedras comem as raízes das plantas.

Borboletas visitam plantas e ele não me visita.

Preferia que dissesse não. Não vou. Não quero.

Não tenho vontade. Vou encontrar outra pessoa.

Ao redor no interior e fora eu fico pensando

Por que ninguém me. Por que ele não.

Se bem que de vez em quando

Todo mundo sim pra mim.

Nada importa se a palavra vem, mas a palavra não vem.

A palavra não. O telefone não toca. Ele não toca meu corpo.

Não amanheceu hoje. Tudo ainda é noite e já é madrugada.

Vou construir uma faca dentada que corte amor.

Vou fazer uma faca afiada que corte amor pela raiz.

Que corte amor uma faca. Eu quero uma faca amolada

Que corte meu amor pela raiz.

A morte é um estado de ser disperso.

Micro quebrado como vidro de carro batido.

Morri muitas vezes. E continuo morrendo.

Mas meu ser disperso acaba juntando seus pedacinhos.

Ando em vontade de nada. Escrevo como quem nada.

Pra nada eu escrevo. Rastros no papel.

Letras que vou puxando com a ponta da caneta.

Uma linha contínua outras vezes pausa.

Muitas pausas eu tenho muitas pausas nas mãos.

Eu tenho mãos?"

Viviane Mosé

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3 de março de 2007

"(...)Não quero ficar ouvindo música no carro. Não quero
Ficar no carro. Quero ficar em casa com minhas coisas.
Quero ficar parada. Muda. Em estado de nada. Quero não ficar.
Não verbo, não nome.

Que você não goste mais de mim me faz sofrer
Não nossas brigas nem as coisas que eu detestp em você
Mas que você não goste mais de mim me faz sofrer.
Me faz sofrer seu olhar de corte suas mãos sem as minhas
A distância de seu corpo mesmo quando junto ao meu.
Não me faz sofrer ficar sozinha. Me faz sofrer ficar sem você.
E pensar você sem mim.

Se você não me abraça quando dorme parece que falta
Cama e Colchão. Falta sono.
Se é por distração que você não me abraça então sim,
Mas se é pra me dizer que não aí tudo falta.

Eu preciso me perder pra me achar. Preciso me ver perder.
E voltar. Eu tenho tudo que eu queria. Eu preciso me perder
Pra me achar. Preciso me perder. E voltar. Eu
Tenho tudo que eu queria.

Porque eu preciso brigar pra saber. Eu preciso brigar
Pra viver. Eu preciso brincar. Eu preciso brincar.

Eu preciso morrer pra encontrar palavra eu preciso perder
Eu preciso Palavra.

Tive muitas quedas e fortaleci muitas vezes. Perco, mas
Gosto de jogar. Mesmo quando dor O prazer da vida
É a própria vida.

Quando você saiu pensei que fosse sentir sua falta
Mas senti falta de mim. Perdi as pernas e o ar.
Quando você saiu
Com a bolsa carregada de coisas nossas
Fiquei só e sem corpo. Fiquei sem ar
Quando em sua bolsa saiam seus olhos de menino
E sua língua dobrada sobre os lábios.
E seu jeito próprio de pronunciaros esses e sua voz
Em sua bolsa você levou meu corpo em suas mãos
E fiquei só
No morno descanso da solidão que nada perde
Nem ganha. Fiquei só abraçada ao travesseiro
Que não conseguia ser seu braço.

Recomposta depois de um curto espaço de morte cultuada
Me ergo
Na esperança de sua pele que me absurda.

Eu não queria falar coisas de mim nos poemas.
Mas acabo falando. No fundo tudo é poema.
A vida me poema agora ela me poema.
Tem um tudo falando."

Viviane Mosé

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