Pap-Pel de Papel <META content="MSHTML 6.00.2900.2604" name=GENERATOR><!-- --><style type="text/css">@import url(http://www.blogger.com/static/v1/v-css/navbar/697174003-classic.css); div.b-mobile {display:none;} </style> </HEAD><BODY>
23 de setembro de 2007



"Se quiser ser feliz, dê instruções para iludir seu relógio, deixe as cortinas cerradas e ache graça no reflexo roxo que ela faz na parede branca. Renda-se ao arrepio, ao sorvete de flocos como café da manhã e chore. De rir. Só para variar os tempos. Fale de pinguins, alimentos azuis, castanhas na brasa e pintas novas espalhadas pelo corpo. Encha a banheira até transbordar e lá dentro despeje meio litro de água de flor de laranjeira. Dizem que é para aromatizar mingaus, mas quer coisa mais doce, aveludada e branquinha que a tua pele? Quebre três copos para abrir os trabalhos, coloque Katia b – Só deixo meu coração na mão de quem pode – para tocar e dance usando apenas roupão japonês de seda falsa, porém quase tão boa quanto a original. Não faça planos e nem aceite pedidos, mas aproveite a boca, a língua, o gosto. Tire a cabeça de dentro de água, diga yes, baby só por esporte, permita que o vento remexa no emaranhado destes teus cabelos e que ele se esconda debaixo da tua saia para fugir do mundo. Esqueça que foram negros tempos, que descobriste um potencial de dor antes desconhecido, que só há moedas na tua bolsa e que há quem escolha a falsa paz no lugar da espada. Quem quer ser feliz, é. Simples assim. O que fica entre uma coisa é outra é um rio de água barrenta, fria, com sangue-suga rodeando as pedras cheias de arestas afiadas. Mas te garanto – já fui e voltei tantas vezes – que nem dói tanto assim passar por ele. Do outro lado da borda vai estar com arranhões que cicatrizam com dois beijos e um frio que passa já nos primeiros raios de sol. O mais difícil é decidir. Mas hoje é o primeiro dia de primavera. E que sejam iniciadas as comemorações. Os cavalos marinhos estão a postos. "

Cristiane Lisbôa

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Lágrima: 1. saudade na forma líquida; 2. mistura de água do mar com alma moída; 3. secreção aquosa expelida através dos canais lacrimais quando se espreme o coração; 4. felicidade que escorre pela face; 5. estrela cadente que despenca do céu dos olhos de quem ama; 6. motivo da existência de lenços brancos; 7. resultado da fusão de sentimentos contraditórios quando submetidos a altas temperaturas; 8. nome comumente dado ao fim de um romance; 9. momento que antecede o adeus; 10. pedaço de ontem; 11. antônimo de desprezo; 12. matéria-prima das jujubas; 13. grande inspiração dos poetas; 14. fado de Amália Rodrigues; 15. na Europa, folha que cai da árvore quando chega o outono; 16. na infância, associada ao berro, alarme de fome; 17. na velhice, fome de colo; 18. névoa úmida que cobre o mundo quando chove dentro da gente.

André Gonçalves

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Era uma vez, uma menina que sentia dor. Passeando pela estrada afora, avistou a alegria correndo com medo da tristeza medonha. Alegria esbarrou na menina com dor e cairam no chão, ralaram o joelho, tadinhas. Tristeza medonha em vez de atacar a alegria, se identificou com a dor da menina. Sairam de mãos dadas, dor e tristeza, cantando mata adentro. Menina ficou sem dor, alegria parou de correr e de uma hora para outra, menina e alegria, resolveram tomar um café na bodega da alameda da saudade.

...

(menina e alegria, tristeza e dor, eu e você, te e amo)

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~*Rebeca*~

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20 de setembro de 2007


...eu só sinto que dói...

...

(!)

~*Rebeca*~

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"(...)Eu chego então à janela:
E fico a olhar para a lua...
E fico a chorar com ela!..."

Florbela Espanca - Só

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" Quando tiraram os pontos de minha mão operada, por entre os dedos, gritei. Dei gritos de dor, e de cólera, pois a dor parece uma ofensa à nossa integridade física. Mas não fui tola. Aproveitei a dor e dei gritos pelo passado e pelo presente. Até pelo futuro gritei, meu Deus."

Clarice Lispector - A revolta

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"(...)Para as moças educadas religiosamente, ignorantes e puras, tudo é amor desde o momento em que põem o pé nas regiões encantadas do amor. Marcham por elas aureoladas da luz celeste que sua alma projeta e que se reflete em raios sobre o seu amado.(...)"

Eugênia Grandet - Honoré de Balzac

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"(...)Ando em vontade de nada. Escrevo com quem nada.
Pra nada eu escrevo. Rastros no papel.
Letras que vou puxando com a ponta da caneta.
Uma linha contínua outras vezes pausa.
Muitas pausas eu tenho muitas pausas nas mãos.
Eu tenho mãos?"

Viviane Mosé

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