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24 de junho de 2008


Ainda bem que ninguém é igual nessa vida, mas vez em quando, trombo com algo parecido. Não gosto disso, não gosto mesmo. Porque sei o que me espera antes mesmo de tudo começar. Sei muito bem onde tudo vai parar e não queria ser tão teimosa. Como é boa a descoberta e o prazer de desvendar todos os mistérios. Liberdade tem seu preço, e acima de tudo, seu valor. Só que não sei se estou administrando muito bem tantas diferenças dentro, fora, em cima, embaixo, se muitas vezes quero ficar só no meio. No meio do desigual, no meio do irracional, na beirada da normalidade...

... inteiramente protegida das igualdades perigosas.

E tenho dito!

~*Rebeca*~

Mete o Play: Aerosmith - Cry`in - Aerosmith - Cry`in

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22 de junho de 2008


"...De cada beijo meu, havia de nascer
Uma sangrenta flor..."

Florbela Espanca - Humildade

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"Mas isso seria fácil, e não gosto da facilidade. Acostumei-me a agir impulsionada pelas dificuldades, para falar a verdade."

Fernanda Young

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"Sartre acreditava firmemente que, com força de vontade, podia-se superar todas os desconfortos, emoções e obstáculos. Segundo ele, lágrimas e nervoso eram fraquezas.[...] Somos livres, dizia Sartre, e podemos escolher.[...]"

Hazel Rowley - Trecho do livro Tête-à-Tête

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"Eu podia ter subido na carona daquela moto, eu bem que quis. Um guri bonitinho, sem camisa, de corpo bom, me secando na fila do banco como se eu fosse uma biscate, me esperando na saída, quer que eu te leve pra algum lugar? Eu queria, viu. Eu queria ir com ele feito uma pizza, naquela moto enferrujada, com aquele guri sem camisa. O que de mau poderia me acontecer? Levar umas bofetadas na cara, ser comida por três no meio do mato, o cara me roubar o relógio. Mas poderia ter sido também uma tarde doce. A gente nunca sabe o que perdeu. Voltei pra casa com a integridade de sempre e, pra variar, nenhuma surpresa me aguardava."

Martha Medeiros

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"Acho que cheguei diante das letras.
As letras são sinais que vão permitindo
Que coisas se juntem em forma.
As letras permitem que as coisas se façam."

Viviane Mosé

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" Como daí chegaram ao amor, não o soube ele nunca. A verdade é que gostava de passar as horas ao lado dela."

Machado de Assis - A Cartomante

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- Um bom coração ajuda a ter um belo rosto, meu rapaz - continuei - mesmo que a pessoa seja monstruosa. Saiba que um coração empedernido é capaz de tornar a pessoa mais bonita em um ser monstruoso. [...]

Emily Brontë - Trecho do Livro: O Morro dos Ventos Uivantes

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"Fecho os olhos, vexado, como um menino surpreendido a praticar tolice."

Graciliano Ramos - Paulo

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"A moça e o moço, quando entre si, passavam-se um embebido olhar, diferente dos outros; e radiava em ambos um modo igual, parecido.[...]"

Nenhum, nenhuma - Guimarães Rosa

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11 de junho de 2008



"Ai de mim, ai!"

Silvinho, seu safado!

Indo para o trabalho, coloquei na radio e me deparei com seu ''ursinho blau blau de brinquedo". Coloquei o som no último volume, comecei a bater na direção do carro e cantei com você, coisa mais linda. Você com todo esse requebrado e eu doida pra saber que sabor de aventura era esse. Nem a Xuxa escapou dos seus encantos. Esse rostinho cheio de sarda e esse biquinho de parar qualquer adolescente naquela época, ainda encanta. Essa geração New wave foi boa demais. Poxa, ando meio saudosa. Uns meses atrás fui ao show do Lulu e quando ele começou a cantar: "O neto dele também vai ser new wave/ Filho de pop star, pop star é/ E vamos todos morar no Hawaii/ Tocar guitarra às 3 da manhã/ E a vizinhança de cabelo em pé/ E da maneira que a gente quiser..." eu gritei: "Luluzão, sua bicha louca e linda, eu amoooooo essa cantiga".

Ah, João Penca também fez minha cabeça. Também cantava "Pop Star" , mas a que eu mais gostava era "Lágrimas de Crocodilo" e principalmente essa parte: "...Ah! Na minha vida tudo mudou/Aquela garotinha me ensinou o que é o amor/ Não diga nada para a sua mãe/ Apague a luz pra eu te ver melhor/ Eu vou chorar lágrimas de crocodilo/ Vou inundar o seu umbigo."

Essa parte de inundar o umbigo é muito profunda...rs

Bem, é isso!

Silvinho, vem com seu blau blau, que prometo guardar segredo!

\ o ///////

~*Rebeca*~

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9 de junho de 2008






Com rostinho de broto e um astral até bacana, dá pra passar como cocotinha.
Eita que hoje lembrei do Roger do Ultraje a Rigor, cantando ''ciúme''. Eu na época dessa cantiga, namorava o galinha mais safado do colégio. E pra completar, essa melodia embalava meus cadernos com todos os corações cheios de flechas. Por coincidência, o nome dele também era Roger e todas as páginas do caderno tinham no cantinho esse código: R².
Ele era da seleção de vôley do colégio e eu a ciumenta mais chata do pedaço.
Mesmo querendo levar uma vida moderninha, o ciúme controlava a cortada perfeita na hora do saque. Essa música era tão nossa, que ele comprou esse LP e me deu no dia que começou a feira de ciências, bem na hora que eu estava explicando o porquê da água não se misturar com o óleo. Duramos um bom tempo juntos. Era um vai e volta medonho e não precisou de feira de ciências pra entender que nossa polaridade era diferente.

Dá o Play:


ultraje a rigor - ciúme

~*Rebeca*~


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"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ser fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter a loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

Clarice Lispector - Não entender

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"[...] o que me interessa é que você acredite que, agora, eu quero, mais do que tudo na vida, estar no mesmo lugar das minhas sensações, mesmo as mais tenebrosas. Não gostaria de perder um só detalhe, nessa nova chance que tenho, de reviver uma realidade descrevendo-a sem disfarces."

Fernanda Young

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"[...]que eu pareço um disco riscado, repetindo sempre a mesma coisa, que eu gosto de você mas não gosto do seu esnobismo, gosto de você mas não gosto do seu jeito escorregadio, gosto de você mas não gosto da sua vaidade. Estou sempre falando as mesmas palavras, e a gente sempre se desencontrando, se desentendendo, seja no silêncio ou na repetição, nunca se afastando realmente e também nunca juntos, uma lengalenga que pode até parecer amor. [...] pedindo pra você me deixar em paz e nas entrelinhas gritando: me ame, seu idiota! E você surdo, mudo, cego e burro, desperdiçando o que eu tenho de mais sagrado, de mais inteiro e mais honesto.[...]"

Martha Medeiros

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"[...]Chega para encher o mundo
O céu, a terra, os espaços,
Estas almas pequeninas,
Estes pequenos pedaços![...]"

Florbela Espanca - As Quadras D'Ele IV

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"Mas tenho admiração mesmo por águas.
Não somente águas de rios e mares
Mas água derramada dos olhos."

Viviane Mosé


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6 de junho de 2008



No dia 07 de junho de 1975 nascia essa menina às 08:00hs de parto normal. Única filha dentro do universo masculino dos seus dois irmãos. Aos 21 anos casou com o primeiro marido e ficou casada durante cinco anos. Teve um filho que é sua vida e não suporta a idéia de perder a cria nem na hora que vai pegar no colégio e custa a achar. Aos 26 anos casou pela segunda vez e passou dois anos casada. Fez inseminação artificial duas vezes e graças a Deus que o cabra era goro. Porque o rojão dessa moça apenas havia começado. Separou do segundo marido e foi morar com a mãe, a pedido dela, pois tinha acabado de descobrir que um carcinoma de pulmão tinha decretado uma morte anunciada. Sua melhor amiga lutou quase cinco anos e no meio do caminho uma doença no filho foi diagnosticada depois de uma biópsia: Distrofia de Becker. E por incrível que pareça, essa jovem que amanhã faz 33 anos é feliz. Em março desse ano perdeu a melhor amiga de vista e tem certeza absoluta que toda noite vem visitá-la em sonhos. Essa mulher com jeito de menina e atitudes tão corajosas vive todo dia o seu dia, não aceita ser vítima da vida e peita de frente sem desviar o caminho.

E por pior que a vida possa ser, por mais dolorosa que possa parecer, aprendeu com a mãe o seguinte: "A vida é bela."

Dá o play: Gonzaguinha - E Vamos a Luta

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5 de junho de 2008



"[...]He said alright, "I'll try. All the stars up in the sky and the leaves in the trees. All the broken bits that make you jump up and grassy bits in between. All the matter in the world is how much I like you." [...]"

Kate Nash

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* "[...]Ele disse "ok, vou tentar. Todas as estrelas lá no céu e as folhas nas árvores. Os pedacinhos quebrados que a fazem pular e a grama que fica em volta. Tudo o que importa neste mundo é o quanto eu gosto de você"[...]"

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Comprei esse livro há alguns dias e estava esperando o momento exato pra entrar nessa viagem de emoções. Conta a história de amor desse filósofo André Gorz com sua esposa Dorine, com que foi casado por quase sessenta anos. Um Romeu e Julieta no tempo atual, um amor que chocou uma época. Ele escreveu esse livro com mais de oitenta anos e anunciou uma morte escolhida pelos dois. Dorine foi vítima de um erro médico, onde o contraste para um raio x não foi eliminado pelo organismo e uma doença degenerativa fez esse amor acabar como acabou. No dia 22 de setembro de 2007, partiram juntos, porque ele não conseguia viver sequer um segundo sem a companhia dela.

O livro é fino, ontem fazendo meu cabelo, tirei da bolsa e li rapidinho.

Confira alguns trechos:

"Preciso reconstituir a história do nosso amor para apreender todo o seu significado. Ela foi o que permitiu que nos tornássemos o que somos; um pelo outro, um para o outro. Eu lhe escrevo para entender o que vivi, o que vivemos juntos."

"Antes de conhecê-la, eu nunca tinha passado mais de duas horas com uma moça sem ficar entediado e sem deixá-la saber que eu me sentia assim. O que me cativava é que você me dava acesso a outro mundo."

"Mas nada disso dá conta da ligação invisível pela qual nós nos sentimos unidos desde o início. Por mais que tivéssemos sido profundamente diferentes, mas eu não deixava de sentir que alguma coisa fundamental era comum a nós, um tipo de ferida original.[...]"

"Com você, eu podia deixar de férias a minha realidade. Você era o complemento da irrealização do real, estando eu mesmo nele compreendido desde sete ou oito anos antes, através da atividade de escrever. Você era quem punha entre parênteses esse mundo ameaçador, no qual eu era um refugiado de existência ilegítima, cujo futuro nunca ultrapassava três meses. Eu não tinha a menor vontade de voltar a terra. Encontrava refúgio numa experiência maravilhosa e não aceitava que ela fosse alcançada pela realidade."

"Eu soube naquele momento que não tinha necessidade de nenhum prazo para refletir; que teria saudades para sempre se a deixasse partir. Você foi a primeira mulher que consegui amar de corpo e alma, com quem eu me sentia em ressonância profunda; meu primeiro amor verdadeiro, para dizer tudo. Se eu fosse incapaz de amá-la de verdade, nunca poderia amar ninguém. Encontrei palavras que nunca soubera pronunciar; palavras para lhe dizer que eu queria que permanecêssemos juntos para sempre."

"Tinha decidido escrever na terceira pessoa para evitar a cumplicidade - a complacência - comigo mesmo. A terceira pessoa me mantinha à distância de mim mesmo, me permitia elaborar, numa linguagem neutra, codificada, um retrato quase clínico do meu jeito de ser e funcionar."

"Você não tinha mais nada a esperar da medicina. Recusava-se a se acostumar com os analgésicos e a depender deles. Decidiu então assumir o controle do seu corpo, da sua doença, da sua saúde; tomar o poder sobre a sua vida em vez de deixar a tecnociência médica tomar o poder sobre a sua relação com o seu corpo e consigo mesma."

"Na primeira noite, nós não dormimos. Um escutava a respiração do outro. Depois um rouxinol se pôs a cantar, e um segundo, mais longe, a lhe responder."

"Lembro de ter escrito a E. que, no final das contas, só uma coisa me era realmente essencial: estar com você. Eu não posso me imaginar escrevendo se você não existir. Você é o essencial sem o qual todo o resto, importante apenas porque você existiu, perderá o sentido e a importância"

E no último parágrafo do livro, eu já estava segurando o choro pra não chorar alto:

"Você acabou de fazer oitenta e dois anos. Continua bela, graciosa e desejável. Faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. Recentemente, eu me apaixonei por você mais uma vez, e sinto em mim, de novo, um vazio devorador, que só o seu corpo estreitado contra o meu pode preencher. À noite eu vejo, às vezes, a silhueta de um homem que, numa estrada vazia e numa paisagem deserta, anda atrás de um carro fúnebre. Eu sou esse homem. É você que esse carro leva. Não quero assistir à sua cremação; nem quero receber a urna com as suas cinzas. Ouço a voz de Kathleen Ferrier cantando: "Die welt ist leer, Ich will nicht leben mehr"["O mundo está vazio, não quero mais viver"], e desperto. Eu vigio a sua respiração, minha mão toca você. Nós desejaríamos não sobreviver um à morte do outro. Dissemo-nos sempre, por impossível que seja, que, se tivéssemos uma segunda vida, iríamos querer passá-la juntos."

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2 de junho de 2008
Ah Joana, Joana...




Ando à toa na vida, esqueço de tudo o que me faz mal e dou aquele sorriso pra dentro de mim. Mostrar os dentes, expressar felicidade antes da hora pode não dar certo e eu tô pouco me lixando se a vida conspira a favor ou algo parecido. Essa vida nunca foi muito mansa pro meu lado e aprendi que dentro dessa mata de bichos escrotos, temos que ter sangue nos olhos pra aguentar todo um rojão. Hoje estou com saudade da minha mãe mais que o normal, sinto que ela de onde estiver está dizendo: "Ô menina teimosa, acorda pra vida, Rebeca!" Nunca acordei, mãe! Sempre vivi dentro do meu mundo e mais egoísta é impossível. Covarde, talvez! Tento fazer de tudo pra não sentir nenhum tipo de dor, nenhum tipo de nada que me deixe péssima. Mas acordei chorando, acordei com saudade da minha amiga, da minha cumade linda que ficava linda mesmo careca. Senti saudades de tomar aquela vitamina de ameixa antes da sua quimioterapia, lá naquele quiosque perto do bazar. Ah mulher, como eu sinto tua falta, mãe. Nosso último ano novo juntas eu estava sentada com a cabeça no seu peito e a sra mexendo no meu cabelo. Nisso quando os fogos começaram a sra disse: "Essa é minha última passagem de ano com vocês." Como é, hein mãe? Como é que sempre soube das coisas e eu não? Nem caiu a ficha direito ainda que a sra foi embora. Sou meio doida e são poucos os momentos que me entrego ao que estou fazendo agora. Chorando, em cima da minha cama, com aquele seu gorrinho de crochê que ainda tem seu cheiro. Vida injusta, vida filha de uma puta, vida vagabunda que tira de nós quem mais amamos. Se ao menos existisse um telefone pra ligar e ouvir sua voz, dizendo que está tudo bem. A vida não pára, nem a dor é sempre, mãe, e essa é a pior parte porque não deixei de sorrir nos momentos felizes, nem deixei de sair pra me sentir melhor. Eu continuo vivendo e vivendo de saudades. Eu te amo, escutou? Escutou mesmo, cumade Joana? Eu te amo tanto, mas tanto, que tento deixar sua alma leve fazendo de conta que tudo anda bem pras bandas de cá.



Deus te abençoe, minha mãe. Deus te faça feliz e te cubra de amor e felicidade.



Eu te amo e é na velocidade da luz!



~*Filha da Mãe*~



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"Ja estive a ponto de apertá-la em meus braços centenas de vezes! Deus todo-poderoso, sabe o que se sente ao ver tantos encantos, e não poder tocar... E no entanto, é um impulso natural da humanidade o querer tocar o que nos fere os sentidos.[...]"

Goethe - Trecho do livro: Os sofrimentos do Jovem Werther

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"No país de Pinóquios, onde a mentira se torna oficial e a sinceridade se esconde envergonhada, as pessoas devem tomar cuidado, ou haverá um incrível duelo de narizes afiados e mortais. A maior parte dos outros animais da floresta - toupeiras meio cegas, burros bastante burros ou sapos covardes - assistem sem saber direito do que se trata. As pérfidas serpentes sabem direitinho o que acontece, mas, interrogadas, sibilam: Eu???[...]"

Lya Luft - Trecho da crônica: Música para camaleões

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"Às vezes tem mais poder do que suponhamos o cheiro da chuva e do mato molhado. Gosto de lembrar da felicidade do olhar, sem cobranças, nas suas próprias idiossincrasias. Essas que se mantém de uma maneira que dá gosto de olhar, sem reservas e com muita sabedoria. Não quero conhecer melhor porque já conheço o suficiente para guardar todo o segredo de uma única vida que tive num passado distante de todo o futuro que não irei viver. Que de maneira alguma não me importa o fato de não existir.Quero conhecer novas coisas, experimentar novos cheiros e paixões, daquelas que só acontece em filmes, juro que quero. Estou aberta às novas curiosidades da vida. Amo sentir o perfume da pele pura, o beijo roubado e o sorriso provocado. Bom saber que viver para alguém é melhor que viver sozinho."

Clara

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"Esta noite preciso de outro verão sobre a boca crescendo nem que seja de rastos"

Eugénio de Andrade

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