20 de setembro de 2008

Faz alguns dias que li esse livro do Jabor: "Eu sei que vou te amar". Um casal recém-separado que falam num dia só, tudo o que fizeram durante o casamento e depois dele. Todos os tipos de perversões e ressentimentos. Gostei de alguns trechos, confira:
"Antes de você chegar você já chega como uma nuvem que vem na frente, antes de você chegar eu ouço tua ansiedade vindo, tua luz, teu som nas ruas, teu coração batendo mais forte porque vai me encontrar...[...]por isso, teu peito dispara e você vem vindo pela rua sem ar, e você vem e você chega e entra quebrando o realismo da sala, quando você entra muda tudo, a casa fica diferente, as cadeiras se movem, os vasos de rosa voam no ar, as mesas rodam, rodam e eu começo a perder o controle da minha solidão; sozinho eu me seguro, mas você chega e eu danço, pois você sabe de mil truques para me jogar no abismo..."
"[...]pego um táxi e penso: "Tenho um homem" e salto na rua, mexem comigo e penso: "Chamo meu homem. Ele te bate!"...[...]"
"[...]aos poucos vai me provar que você é o porto seguro e eu a galera enlouquecida, que eu sou a porra-louca e você a maravilha[...]"
"[...]com você eu quis mais que um casamento... eu quis tocar a verdade, eu quis dar um beijo que ficasse, um gozo que não passasse mais, uma marca de amor que não saísse da tua pele... te marcar, te suar...virar você..."
"[...]você não sabe o que é uma mulher abrir as pernas para um homem a primeira vez... sabendo que vai... que está apaixonada... e eu abri as pernas e o seu pau entrou... eu me lembro dele até hoje... quando o seu pau entrou eu pensei: "Meu Deus!...É Natal... É Carnaval!... É dia de São João... [...]Chegou um homem na minha vida que vai acabar com a minha vida!...[...]quem ele pensa que é?"
"[...]eu pensei que nunca ia parar de gozar, nunca, uma sensação de gol, gol do Brasil, sensação de vitória no ar, bandeiras, foguetes... e eu pensava... pensava: "Meu Deus, esta menininha me dando isto tudo, estes prazeres todos, será que o pai desta menina não cuida dela? Ninguém cuida? Ninguém vai fazer nada? Vão deixar ela me enlouquecer aqui nesta praia de madrugada? E a polícia, que não vê isto? Ninguém toma uma providência?" E o sol nascendo, a bandeira vermelha do posto, e eu pensava, viva o partido comunista, viva o sol nascente, viva o Japão, e o céu violeta fugindo das estrelas de madrugada..."
"Não tenho a menor noção do que é a verdade, mulher! Caguei pra verdade, a verdade é uma coisa escrota, uma nojenta filosófica inventada pelos monges do século XIII, que ficavam tocando punheta nos conventos, verdade o cacete, interessa a objetividade![...]"
"Doce é o limão, minha filhinha...doce é o mais ardido dos limões perto da tua crueldade absoluta... nunca confie, meu amigo, numa delicadeza doce!... daí é que sai a morte!"
" [...]a vida só é vida no limite da loucura..."
"Mas aí eu percebi que ainda não era livre, que eu ainda era a tua mulher obediente... eu fazia tudo que você, no fundo, queria, tudo que tua perversão pedia, tudo que faz mulher de cafajeste, tudo que o cafajeste quer..."
"Por que eu me sinto abraçada sem que ele me toque? Eu me sinto dormindo em seu colo apesar de estar longe dele. Somos dois bichos, um casal de bichos, juntos e distraídos.[...]"
"[...]Na verdade é uma palavra que ele mexe dura na minha carne mole, que palavra é esta? Que palavras?... Somos palavras, na verdade é isto? Só somos palavras? É isto que somos? Só palavras?... Mas como? E a carne? Não tenho carne? É... sou palavras, muitas palavras guardadas dentro de uma carne grande que ele deseja, que ele tateia com a língua dura, mole palavra molhada, alguma coisa está se passando debaixo de meus vestidos, começa a babar em minhas pernas[...]"
-
"Antes de você chegar você já chega como uma nuvem que vem na frente, antes de você chegar eu ouço tua ansiedade vindo, tua luz, teu som nas ruas, teu coração batendo mais forte porque vai me encontrar...[...]por isso, teu peito dispara e você vem vindo pela rua sem ar, e você vem e você chega e entra quebrando o realismo da sala, quando você entra muda tudo, a casa fica diferente, as cadeiras se movem, os vasos de rosa voam no ar, as mesas rodam, rodam e eu começo a perder o controle da minha solidão; sozinho eu me seguro, mas você chega e eu danço, pois você sabe de mil truques para me jogar no abismo..."
"[...]pego um táxi e penso: "Tenho um homem" e salto na rua, mexem comigo e penso: "Chamo meu homem. Ele te bate!"...[...]"
"[...]aos poucos vai me provar que você é o porto seguro e eu a galera enlouquecida, que eu sou a porra-louca e você a maravilha[...]"
"[...]com você eu quis mais que um casamento... eu quis tocar a verdade, eu quis dar um beijo que ficasse, um gozo que não passasse mais, uma marca de amor que não saísse da tua pele... te marcar, te suar...virar você..."
"[...]você não sabe o que é uma mulher abrir as pernas para um homem a primeira vez... sabendo que vai... que está apaixonada... e eu abri as pernas e o seu pau entrou... eu me lembro dele até hoje... quando o seu pau entrou eu pensei: "Meu Deus!...É Natal... É Carnaval!... É dia de São João... [...]Chegou um homem na minha vida que vai acabar com a minha vida!...[...]quem ele pensa que é?"
"[...]eu pensei que nunca ia parar de gozar, nunca, uma sensação de gol, gol do Brasil, sensação de vitória no ar, bandeiras, foguetes... e eu pensava... pensava: "Meu Deus, esta menininha me dando isto tudo, estes prazeres todos, será que o pai desta menina não cuida dela? Ninguém cuida? Ninguém vai fazer nada? Vão deixar ela me enlouquecer aqui nesta praia de madrugada? E a polícia, que não vê isto? Ninguém toma uma providência?" E o sol nascendo, a bandeira vermelha do posto, e eu pensava, viva o partido comunista, viva o sol nascente, viva o Japão, e o céu violeta fugindo das estrelas de madrugada..."
"Não tenho a menor noção do que é a verdade, mulher! Caguei pra verdade, a verdade é uma coisa escrota, uma nojenta filosófica inventada pelos monges do século XIII, que ficavam tocando punheta nos conventos, verdade o cacete, interessa a objetividade![...]"
"Doce é o limão, minha filhinha...doce é o mais ardido dos limões perto da tua crueldade absoluta... nunca confie, meu amigo, numa delicadeza doce!... daí é que sai a morte!"
" [...]a vida só é vida no limite da loucura..."
"Mas aí eu percebi que ainda não era livre, que eu ainda era a tua mulher obediente... eu fazia tudo que você, no fundo, queria, tudo que tua perversão pedia, tudo que faz mulher de cafajeste, tudo que o cafajeste quer..."
"Por que eu me sinto abraçada sem que ele me toque? Eu me sinto dormindo em seu colo apesar de estar longe dele. Somos dois bichos, um casal de bichos, juntos e distraídos.[...]"
"[...]Na verdade é uma palavra que ele mexe dura na minha carne mole, que palavra é esta? Que palavras?... Somos palavras, na verdade é isto? Só somos palavras? É isto que somos? Só palavras?... Mas como? E a carne? Não tenho carne? É... sou palavras, muitas palavras guardadas dentro de uma carne grande que ele deseja, que ele tateia com a língua dura, mole palavra molhada, alguma coisa está se passando debaixo de meus vestidos, começa a babar em minhas pernas[...]"
-

"[...]Só tenho uma vida sensual, e é com você, e, para mim, isso é algo infinitamente precioso, e sério, e importante, e apaixonante. Eu não seria capaz de lhe ser infiel, porque isso o transformaria num episódio dessa vida, ao passo que você é essa vida. Não quero outra. Estou totalmente engajada nela, profundamente e com muita alegria.[...]"
Simone de Beauvoir
-
Simone de Beauvoir
-

"Um dia faço escândalo cá a bordo,
Só para dar que falar de mim aos mais.[...]"
Álvaro de Campos - Opiário
-
Só para dar que falar de mim aos mais.[...]"
Álvaro de Campos - Opiário
-

"[...]Eu amo, amo, amo muito você. Tudo em você, sua boca, seu cabelo, sua voz. Sua simplicidade. Seu sorriso. Você é como um garoto normal, como se morasse na mesma rua que eu. É o que te faz assim especial.[...]"
Martha Medeiros
-
Martha Medeiros
-

"[...]Ele queria poder ver ainda mais vivido - as novas tantas coisas - o que para os seus olhos se pronunciava.[...]"
Guimarães Rosa - As margens da Alegria
-
Guimarães Rosa - As margens da Alegria
-

"[...]Mas aprendi que conversas sinceras não existem - existem as confissões por escrito.[...]"
Fernanda Young
-
Fernanda Young
-

"[...]Palavras vulgares; mas há vulgaridades sublimes, ou, pelo menos, deleitosas.[...]"
Machado de Assis - A Cartomante
-
Machado de Assis - A Cartomante
-

"[...]No meio do meu silêncio e do silêncio da rosa, havia o meu desejo de possuí-la como coisa só minha. Eu queria poder pegar nela. Queria cheirá-la até sentir a vista escura de tanta tonteira de perfume.[...]"
Clarice Lispector - Cem anos de perdão
-
Clarice Lispector - Cem anos de perdão
-

"Quando saiu da casa de Eleonor, levava, no bolso, um papelzinho com o endereço completo. A garota viajara sozinha; ia residir, no Canadá, com uma família conhecida. Aconteceu, então, o seguinte: Genival passou o consultório adiante; vendeu o automóvel; e uma semana depois, partia. Eleonor foi levá-lo ao aeroporto. E, lá, antes de entrar na fila dos passageiros, Genival baixa a voz:
- Por essa pequena vou ao crime! Ao crime!
Eleonor não fez nenhum comentário. Doeu-lhe, porém, não ter inspirado, nunca, uma paixão assim."
Nelson Rodrigues - Canadá
-
- Por essa pequena vou ao crime! Ao crime!
Eleonor não fez nenhum comentário. Doeu-lhe, porém, não ter inspirado, nunca, uma paixão assim."
Nelson Rodrigues - Canadá
-

"[...]Precisava sair dali, percorrer avenidas, entrar nos cafés, abalroar os transeuntes, escutar pedaços de conversas, desviar-se ds carros, ver miudinhos os tipos imponentes e dominadores.[...]"
Graciliano Ramos - Um pobre-diabo
-
Graciliano Ramos - Um pobre-diabo
-

















