
Jota Cê e eu estamos lendo o livro "Mulheres Apaixonadas" de D.H Lawrence. Na realidade foi indicação dele e vou colocar aqui alguns trechos que gostei até agora:
Tinha-a na palma da mão, sua vontade, e ela era tenra, misteriosa e invisível em sua sedução lá.
"Meu Deus", exclamou-se, "o que é isto?" E depois, logo em seguida, dizia-se cheia de determinação: "Tenho de saber mais sobre este homem." O desejo de vê-lo novamente a torturou, uma saudade, uma necessidade de vê-lo outra vez, de garantir que não houvera engano, que não estava se iludindo, que ele a fizera mesmo sentir aquela sensação estranha e irresistível, aquele conhecê-lo em seu próprio âmago, aquela poderosa apreensão. "Estarei mesmo destinada a ele de algum modo, existe mesmo uma pálida luz dourada, ártica, a nos envolver exclusivamente?"
- Eu pensava que todos os selvagens fossem muito perigosos, capazes de nos matar antes mesmo de percebermos.
- Verdade? - disse ele, rindo. - Nós exageramos a selvageria dos selvagens. Eles são exatamente como todo mundo.[...]
- Oh, então ser explorador não é enfrentá-los com bravura?
- Não. Trata-se mais de enfrentar privações do que medos.
- Nossa! E você nunca teve medo?
[...]cheia de um perigoso poder, como um estranho botão inconsciente de feminidade, uma poderosa feminidade. Ele foi inconscientemente atraído por ela. Ela era o seu futuro.
Eis a pura verdade. Duas pessoas são necessárias para o assassinato: um assassino e um assassinado. E o assassinado é uma pessoa que é assassinável. E o homem assassinável é uma pessoa que numa luxúria profunda quiçá oculta deseja ser assassinada.
~*Rebeca*~
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Mais trechos do livro: Mulheres Apaixonadas - D.H Lawrence:
Sentia uma paz imensa - uma felicidade quase celestial! Não ter pensamentos, nem desejos, nem vontades, e estar sossegadamente ao lado dela, perfeitamente tranquilo e muito próximo, numa paz abençoada. Ele não desejava nem exigia coisa alguma! Era como se estivesse no céu...
E, de novo, apareceu-lhe aquela adorável claridade primaveril que os olhos dela irradiavam como se vinda através de uma janela mágica; desejou tê-la sua, no meio deste mundo orgulhoso e indiferente.
- Então porque me convidou para tomar chá?
- Preciso encontrá-la naquilo que não seja a sua própria existência, a parte de sua alma que renega inteiramente. Não necessito de seus belos olhos, de seus sentimentos femininos. Não desejo seus pensamentos, opiniões ou idéias; para mim isso não vale nada.
- É muito convencido, cavalheiro. Se não conhece meus sentimentos femininos, meus pensamentos, minhas idéias... Nem sequer sabe o que eu penso de você neste momento.
- E nem quero saber, por favor.
- Pois acho-o um tolo. Dá a impressão de que tenciona declarar-me o seu amor, mas que fabrica mil talhos para chegar até lá.
- Muito bem, vá-se embora e deixe-me em paz. Não quero continuar a ouvir suas zombarias humilhantes.
- Serão realmente zombarias?
O gato caminhava agora com o ar solene, pelo caminho calçado do jardim, balançando a cauda. Era um gato vulgar, de patas brancas. Perto do muro achava-se uma gata de pêlo pardo, agachada, pronta para saltar. Mino dirigiu-se com imponência para ela, com lentidão viril. A fêmea encolheu-se diante dele, apertando-se contra a terra, cheia de humildade, pobre pária de pêlos sedosos - mirou com olhos agressivos, verdes e desafiadores como enormes gemas cintilantes. O gato apenas avistou-a. Então a bichana deu maus uns passos à frente, a caminho do portão dos fundos, arrastando-se quase de maneira a não ser pressentido. Movia-se habilmente, como uma dama.
Ele, porém, seguia com passadas ágeis, logo atrás; e, de súbito tocou-lhe velozmente com a pata no canto do focinho. A gata afastou-se um pouco como uma folha soprada pelo vento e encolheu-se, submissa, medrosa. Mino fingia não vê-la, piscando os olhos, soberbo, à paisagem que o rodeava. Daí a pouco, ela tornou a dar um passo à frente, suavemente. Mais alguns passos daqueles e teria desaparecido, como num sonho, mas o bicho, cinzento e imponente, saltou-lhe adiante e deu-lhe uma pancadinha rápida e graciosa, o que a fez deter-se de novo, sempre obediente.
Jota Cê
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Trecho do livro: Mulheres Apaixonadas - D.H. Lawrence:
- Há em você uma luz dourada; desejaria recebê-la de presente.
- Que espécie de luz?Acanhado nada disse.
- A minha vida ainda não foi preenchida - disse ela.
- Não - respondeu ele sabidamente.
- E tenho o pressentimento de que ninguém jamais me terá verdadeiro amor.
Birkin não replicou.
- Você supõe - começou Úrsula, falando devagar - que eu procuro apenas satisfações físicas. Mas não é assim. O que eu desejaria é que o seu espírito fosse útil ao meu.
- Bem sei. Bem sei que não pretende satisfações físicas. Entretanto, eu gostaria que me desse... que me desse a sua alma... essa chamazinha dourada que há em você... e que você desconhece... Dê- ma!
- Como posso fazer isso se você não me ama? Você só deseja os seus próprios fins. Não quer ser-me útil, e no entanto, deseja que eu o sirva. Você é um egoísta.
- É diferente - explicou Rupert. - Essas duas espécies de coisas são diversas. Eu a sirvo de outra maneira. Nós nos deveríamos unir sem nos preocuparmos com as nossas próprias pessoas, unirmo-nos realmente pela razão de o sermos, como se se tratasse de uma fenômeno natural, não uma coisa que devêssemos manter à custa de muito trabalho.
- Não - atalhou ela, pensativa. - Você é um egocêntrico. Jamais mostrou entusiasmo, jamais despendeu um átomo do seu interesse por mim. Só se ocupa de si e de seus problemas. E ainda por cima pretende que eu o sirva.
- Ah! - exclamou. - As palavras não valem de nada, de modo nenhum. A coisas é entre nós, ou não é.
- Você nem sequer me tem amor!
- Seja! - foi a irritada resposta de Birkin. - Mas a minha vontade é que...
- Penso sempre que vou ser amada; depois, abandonam-me. Você bem sabe que não me tem amor. Não deseja o meu bem, que apenas o seu.
Ao ouvir ouvir a repetição daquela censura, Birkin sentiu o sangue ferver-lhe nas veias.
- Não - respondeu de mau humor. - Não desejo o seu bem, porque não há nada para desejar. O que você ambiciona que eu seja não lhe trará benefício algum. Não é você, mas a sua qualidade feminina que se queixa. E eu não ligo a uma simples boneca de trapos...
- Ah! - fez ela rindo-se e zombando. - É tudo o que pensa a meu respeito? E ainda tem a impudência de insinuar que existe amor em tudo isso?
Levantou-se indignada, disposta a ir-se embora.
- O que você pretende - continuou, voltando-se para o homem -, o que pretende é a ignorância paradisíaca. Sei o que isso significa. Muito obrigada. É bom para você considerar-me uma coisa, que nunca lhe faça a menor observação, que não tenha sequer de falar. Uma coisa, simplesmente uma coisa! Não, obrigada. Se é isso que deseja, há dúzias de mulheres que se deixariam pisar por você; vá procurá-las, se é esse o seu fim. Vá e procure!
- Não - replicou ele, a quem a cólera obrigava a ser franco. - Eu gostaria que você perdesse essa vontade tão dogmática e sua confiança apreensiva e melindrosa. É só isso o que eu desejo. Seja confiante, mas de modo que possa agir livremente.
- Agir livremente! - repetiu ela em tom irônico. - Já sabe que o faço, sem pedir a ninguém. É muito simples. Você é que não o consegue, porque se agarra a si próprio como se fosse um grande tesouro. Você... professor de catecismo... fazedor de sermões!Havia tanta verdade naquela palavras que Birkin se empertigou e desviou os olhos.
- Não lhe peço que se deixe arrastar até ao êxtase dionisíaco. Sei que não seria difícil, mas detesto os arrebatamentos, dionisíacos ou não. Seria como andar sempre em roda, dentro de uma gaiola. Aconselho-a a que não se ocupe tanto de si; seja como é, sem maiores preocupações, sem insistir, alegre, segura. indiferente...
- Quem insiste? - volveu ela, sarcástica. - Quem é que não deixa de insistir? Não sou eu.
- Compreendo. Enquanto nós ambos insistirmos, andaremos fora da razão. Aqui estamos e nunca chegamos a um acordo.
- Gosta realmente de mim? - murmurou.O homem riu.
- Chamo a isso o seu pregão de guerra - retorquiu, sorrindo.
- Por quê? - indagou a jovem, rindo-se também, embora surpresa.
- A sua insistência!... O seu grito guerreiro, em outros tempos deveria ser: "Por Brangwen!" Mas agora é: " Ama-me? Ou sim, ou morres, vilão!"
- Não - replicou Úrsula, defendendo-se. - Não é isso. Não é bem assim. Mas preciso saber quais são os seus sentimentos, não acha?
- Pois bem, vou dizer, de uma vez para sempre.
- Gosta, então?
- Sim, gosto. Amo-a e tenho a certeza de que é coisa imutável, definitiva... Para que dizer mais?Ela permaneceu silenciosa por alguns instantes, entre desvanecida e desconfiada.
- Palavra de honra? - perguntou, chegando-se a ele, satisfeita.
- Absoluta. Agora, acabe com isso. Acredite no que eu disse e acabe com isso.
- Acabar com o quê? - interrogou, louca de felicidade.
- Com os seus tormentos.
Jota Cê
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Eu tenho uma amiga que virou irmã até pelos anos que nos conhecemos. Se eu disser que estamos beirando os 30 anos de amizade é dizer que sou velha? Nos conhecemos desde pequenas e a vida nos fez cruzar caminhos diferentes. Gabriela é linda, tem um sorriso lindo e um jeito engraçado de contar suas histórias[nunca vi falar mais cearense que ela]. Gabriela têm tres filhos e dona de um corpo de menina de 17 anos, mas não cansa de se achar gorda. Gabriela, você é perfeita e deixa de tanta loucura pelo corpo ideal. Você além de tudo é inteligente e busca seu crescimento como ser humano nesse mundo de meu Deus e isso basta. Nunca vi mulher mais perua na vida, praticamente, uma Hebe Camargo mais nova. Só gosta do que é bom, mas sabe comer farinha no mesmo saco que qualquer outro cristão. Sei lá, Gabriela é show. Não tenho muitas amigas, aliás, tenho pouquíssimos amigos que realmente compartilho meus problemas e felicidades. Gabriela é a amiga mais amiga que tenho. Entre nós nunca existiu disputa ou falsidade. Entre nós sempre existiu a admiração que preenche o amor que sentimos uma pela outra. Gabriela, minha amiga linda, sempre que precisei de você esteve ali comigo, mesmo com marido e filhos que tomam seu tempo corrido. Essa menina linda, sempre foi batalhadora. Sempre ajudou o pai no comércio, sempre foi dinâmica e sempre foi família. Dizem que quem é boa filha é boa em tudo. Pois assim é Gabi, Gabizinha, Bi...
... ela é linda por fora e um espetáculo por dentro.
Te amo, Cumade Gabi.
~*Rebeca*~
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