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18 de fevereiro de 2009



Costumo dizer, numa opinião bem minha, que pra um livro ser bom a química tem de ser essa: quanto mais eu leio, mais eu tenho que deixar de enxergar palavras e tenho que passar a ver o desenrolar da trama, projetando, assim, as cenas em minha mente. No livro Flores Azuis de Carola Saavedra, tido como o melhor romance de 2008, confesso que em algumas partes da trama, especificamente nas das cartas, eu pude fazer algumas projeções tímidas, bem tímidas. Não vi um ponto de equilíbrio no livro, muitas repetições de certas frases, palavras, a história simplesmente não anda, fica só naquele círculo de reclamações infinitas, tanto nas cartas como na narrativa paralela. Não sei se foi essa a proposta da autora, mas se foi ela fez um trabalho e tanto. Sempre que me via em meio a histeria da mulher por trás das cartas eu era jogado para uma desconcertante quebra de ritmo na narrativa da vida, nada inspirante, do cara que lê essas cartas "sem querer". Romance que é bom nada, só o que eu li foi uma mulher louca reclamando que não era vista pelo seu parceiro, já no fim de uma relação pelo que parece, e se perguntando todos os porquês disso, e de um cara que fica apaixonadinho pela louca só de ler suas cartas enfáticas, e um final digno dos estudios "róliudianos", no qual não sabemos quem estava sonhando com o quê, porque pra mim esse livro não passou de uma fantasia, agora resta saber de quem... se da mulher das cartas, do cara que lê ou da autora mesmo.

Jota Cê

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15 de fevereiro de 2009


"Eu velando o teu sono, os teus pesadelos, como uma criança, eu cheia daquela afeição, daquele amor, pensando, eu que te daria tudo, eu que seria capaz de qualquer coisa, de te carregar no corpo e te parir e te aninhar no colo e te alimentar, e sussurrar uma canção antiga, qualquer coisa que te tranquilizasse, a gema dos meus dedos ainda úmida das tuas lágrimas ou de qualquer outro desejo meu. Um amor tão grande, você entende?"



Flores Azuis - Carola Saavedra


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"[...] E era uma felicidade desesperada, haveria algo assim, uma felicidade desesperada?, estava tudo bem novamente, e eu te abraçava e te beijava com ânsia, com fúria, eu te arrancava a roupa e machucava os dedos arrancando a tua roupa, a expectativa do teu corpo nu, da tua pele, como nunca até então, e, ao te ver finalmente nu, o teu corpo nu, como podia ser tão belo, o teu corpo nu, eu pensava, como era possível aquela beleza, aquela arrogância? E eu que exasperada me desfazia da própria roupa, eu que mal me dava tempo e levantava a saia e abria as pernas ao sentar no teu colo, e sentava lentamente no teu colo, as pernas abertas, o meu olhar úmido grudado no teu, o corpo que se encaixava em descenso, eu que sentia como uma queda, um desfalecimento, o encontro daquela nossa desnudez, a exatidão da tua pele nos traços mais delicados da minha pele, e o roçar dos meus seios no teu peito, na tua boca, e eu que te abraçava, cada vez mais profundamente, e te beijava, cada vez, minha língua acariciando a tua, haveria algo assim?, eu que arqueava e desarqueava o corpo, e te sussurrava promessas e frases desconexas no ouvido, eu que te arranhava, eu que te agarrava e te mordia e te apertava, eu que sentia o suor escorrendo pelo rosto, e o meu corpo que se arqueava e desarqueava e me parecia líquido, todo fluxo, todo sangue. Eu que era toda um gemido lento e interminável. E a cada instante eu pensava, como era possível?[...]"



Trecho do livro: Flores Azuis - Carola Saavedra



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13 de fevereiro de 2009


Janine, agora é minha vez de falar de você, minha amiga, irmã, confidente. Olha, brigamos demais, né?! Nos conhecemos desde 12 anos de idade e passamos nossa adolescência realmente grudadas. Fomos apaixonadas pelo mesmo menino e no dia que ela descobriu que eu também estava, resolveu abrir mão e deixar eu seguir minha paixão. Enfim, Janine é assim, humana. Tão batalhadora, tão guerreira, tão mulher pro que der e vier, que às vezes esqueço o quanto ela é frágil. Sua beleza está num coração que sabe bater transmitindo amor, mesmo quando sua vida está virada de cabeça pra baixo. Ela é aquela amiga que quando implicamos, ficamos um bom tempo naquele silêncio, mas sabemos que quando o bicho realmente pega, uma procura a outra pra desabafar o que não conta pra ninguém. Temos aquela certeza que estamos seguras com nossas loucuras cometidas. Temos tanta história pra contar, tanta, mas a melhor delas é a que está sendo contada agora. Que depois de 21 anos de amizade, ainda somos meninas na emoção que carregamos. Quer ouvir uma palavra de força, de coragem, de paz? Ligue para "disque janine" que o peso do seu peito se transforma na leveza da alma.

Acabei de voar pro ano de 1988... Ô tempo bom aquele, onde a moda era biquini verde-limão!

Janine, te amo, sua chata!

~*Rebeca*~

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P.s.: Janine faleceu no dia 08.03.2009. Minha grande amiga, que virou uma grande irmã, fez sua viagem sem volta e por lá vai encontrar a paz tão desejada por todos nós. Janine fez a redução do estômago e deu complicação com o passar dos dias. Não consegui colocar na minha cabeça que a morte realmente existe, mas tenho certeza que minha irmã está num bom lugar.


Janine, eu sempre vou te amar!


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10 de fevereiro de 2009






Acordei no susto, senti você fazendo aquele carinho tão gostoso. Depois, fechei o computador, fechei a luz e fui dormir. Quase não acordo, acho que não ando matando o sono como tem que ser. Saudade de você, saudade demais... hoje lendo outra parte do livro, vi um trecho que parece demais quando nós brigamos. Quando falo em brigar, não são essas besteirinhas diárias que nunca mudam, mas falo daquelas brigas que o medo de perder vem com tudo...



Te amo!




"Eu não desci correndo as escadas, nem dancei, nem cantei, nem gritei que nada daquilo importava, que nada mais importava, eu não sorri para outros lábios, nem me acheguei, nem desejei, nem deixei que me desejassem, obediente, feliz, não, eu não passei os meus dedos por outra pele, a gema dos meus dedos, nem a maciez da minha pele em outra pele, nada disso eu fiz.
Eu não dancei a noite toda, o dia amanhecendo em outras bocas, não, eu não acordei em outras camas, nem na minha cama, os lencóis envolvendo outros corpos, os lençóis escancarados, não, eu não te condenei, nem te virei as costas e sorri, entre outras vidas, outras respirações, não, eu não senti o peso de outro corpo, de outra mão, nem o alento de outro ritmo em minha nuca, não, eu não chorei nem sofri em outros braços, eu não abri o corpo para outros olhos, outras revelações, nem me despi ansiosa, no meio da sala, ou em frente a outra cama, não, eu não tirei o vestido vermelho, nem alguma peça que você gostava tanto, só para você, para outro, eu não soltei o cabelo, como você preferia, para outro, nem senti a carícia de outras palavras em meu ouvido, não, eu não fiz nada disso. Eu não desci correndo escadas, nem qualquer outro lugar obscuro da cidade, eu não sorri para o primeiro estranho, eu não me ofereci com o olhar iluminado nem caminhei lânguida em outra direção, não, eu não permiti outras mãos na minha pele, que você dizia suave, outras mãos e outra voz dizendo da suavidade da minha pele e da cortina dos meus cabelos, não outra voz envolvendo a minha, outra carícia, não, eu não fiz nada disso, todas as pequenas vinganças que eu poderia ter feito, e te escrever agora, e te fazer sorrir ou sofrer. Mas não. Eu não fiz nada disso. Eu apenas fechei os olhos e fiquei ali."




Flores Azuis - Carola Saavedra




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9 de fevereiro de 2009



"[...] como se as reticências pudessem significar alguma coisa, ou talvez porque reticências signifiquem o que a gente quiser."



Flores Azuis - Carola Saavedra


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Ajeitando meus livros, vi que havia comprado um e por viver tão intensamente você, esqueci entre os outros que tenho empilhados. Comecei a ler e de repente te vi num parágrafo logo no início. Pelo que pude perceber, vou gostar de ler e vou engolir palavras... mas antes, antes de engolir qualquer coisa, vou lamber e amar as suas...

Te amo!

"Penso no teu rosto, agora, ou quando frequentemente eu te fazia uma pergunta, às vezes qualquer bobagem, a chuva, o dia, a rua, o teu rosto tenso, apreensivo, a inutilidade de estar sempre perguntando alguma coisa, sem perceber que eu perguntava sem esperar resposta, que eu perguntava por perguntar, pela simples necessidade de confirmar que você estava ali comigo, a minha mão procurando a tua, qualquer carinho, qualquer afago teu. Ali, comigo. "

Flores Azuis - Carola Saavedra

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